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Manifesto

Fronteiras nasceu de um desejo ardente de explorar múltiplas culturas, línguas e tradições e os pontos onde elas se cruzam no teatro. A inspiração para o nome da companhia e a nossa filosofia vêm do lugar onde eu cresci, as cidades especiais de Sant’Ana do Livramento e Rivera, na fronteira entre Brasil e Uruguai. A distinção entre as duas cidades e países não é visível. Não há ponte, nem rio, nem controle das fronteiras, apenas uma linha imaginária que separa os dois países. Contudo, ainda que as duas cidades se fundam em uma, o simples fato de atravessar a rua muda o idioma, a moeda, a arquitetura e a lei. No entanto, precisamos de leis e regulamentos especiais para este lugar, nosso comércio opera em três moedas (mais a boa e velha permuta), todos somos bilíngues e desenvolvemos nosso próprio dialeto local também. Nós somos ambos os países e nenhum deles ao
mesmo tempo, somos um ou outro país e somos o nosso próprio país distinto.

Queremos transferir esse sentimento pro teatro. Quero criar ambientes teatrais que são “terra de ninguém”, com encruzilhadas suficientes onde coisas belas acontecem.

Gostamos de chamar o trabalho de inter / trans / multicultural.

Nossas interações interculturais implicam a exposição da nossa cultura a outros e a nosso envolvimento com outras culturas. O objetivo é a transferência e a absorção de conhecimento.

Nossas interações transculturais vão um passo além. Geram o diálogo, a tradução e aexperimentação.

Nosso trabalho multicultural é o objetivo. É o resultado das interações acima, é o que vamos trazer para nosso público.

Flávia D’Ávila
Diretora Artística